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01 de julho de 2015

No caminho certo

Estive presente, no mês de maio, em encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro chinês Li Keqiang. Na ocasião, foram anunciados investimentos da China no Brasil em diversas áreas, como aviação, petróleo, mineração, agronegócios e infraestrutura. O governo chinês pretende investir aproximadamente US$ 53 bilhões no Brasil. O destaque no setor de infraestrutura de transportes é a ferrovia Transoceânica, que vai ligar os oceanos Pacífico e Atlântico, passando por Brasil e Peru. Com 4,4 mil km, a estrada de ferro sairá de Goiás, passará pelos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre e vai atravessar os Andes, chegando aos portos do Peru. No Brasil, se integra à malha da ferrovia Transcontinental, até o porto de Açu, no Rio de Janeiro.

A iniciativa abre um nova saída pelo Oceano Pacífico e, com isso, facilita e reduz custos no escoamento do nosso minério, da soja e outros produtos de exportação. Esse é um investimento que a Confederação Nacional de Transporte vem defendendo desde o primeiro Plano CNT de Transporte e Logística, lançado em 2007. O acordo bilateral assinado prevê que os estudos de viabilidade se estendam até maio de 2016. A partir daí é que se poderá saber os custos do empreendimento.
A CNT sempre defendeu que o país procure parceiros estrangeiros que possam trazer investimentos que permitam a retomada do crescimento econômico. No contexto atual, no qual o governo brasileiro reduziu sua capacidade de investimento para cumprir meta de superavit primário para pagar dívidas, a parceira com os chineses é muito bem-vinda. A China já é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2014, as trocas comerciais entre os dois países alcançaram quase US$ 80 bilhões.

Também neste mês de maio, recebemos aqui na CNT mais uma comitiva de empresários chineses interessados em conhecer os caminhos para investir na infraestrutura brasileira. Há tempos, nós percebemos a importância estratégica da China no comércio mundial e as possibilidades que uma aproximação com o país asiático poderiam trazer. Por isso, instalamos um Escritório de Representação da CNT em Pequim que tem realizado um trabalho notável de aproximação entre empresários chineses e brasileiros. Mostramos a eles as oportunidades de investimento em portos, ferrovias, rodovias e aeroportos. Temos certeza que estamos cumprindo nosso papel de indutor do desenvolvimento. Depois de tantas notícias desanimadoras nos últimos meses, como inflação alta e aumento do desemprego, o mês de maio traz alguma perspectiva de dias melhores. Que essa parceria com os chineses seja duradoura e estimule outras ações que possam fazer o Brasil retomar o crescimento econômico. 

AUTOR
Clésio Andrade, presidente da CNT e do Sest Senat​

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