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21 de março de 2016

Um novo pacto para o desenvolvimento

O que está acontecendo com as promessas de políticas públicas que promovam o aumento dos postos de trabalho, que estimulem o investimento, que gerem empregos e, consequentemente, a retomada da economia? Tudo o que se ouve e se lê são intenções, muita ideologia e pouca estratégia, as incipientes ações públicas sucumbem antes mesmo de serem iniciadas. As instâncias tripartites de diálogo são convocadas: muito se fala, pouco se faz. Propostas são apresentadas e são refutadas sem explicações consistentes.

Os representantes da sociedade não se furtam a propor soluções e a sugerir políticas para os mais graves problemas brasileiros da atualidade, mas os gestores públicos, do alto de suas sapiências, não conseguem perceber que as vozes da sociedade, sejam dos empregadores sejam dos trabalhadores, sabem muito bem o que é bom para a população e para a economia. A pergunta que fica no ar é se o governo tem mesmo a intenção de ouvir os anseios e as propostas da sociedade para tirar a economia brasileira do caos. O que se percebe é que os gestores públicos não sabem que rumo seguir, agem de forma surreal, em um faz de conta sem sentido, querem apenas dar aquela aparência saudável de democracia para as ações governamentais, quando no fundo tudo fica pior e, na melhor das hipóteses, igual.

Lamentável é a constatação de que há um imobilismo soberano, uma incapacidade de tomar decisões assertivas, quando deveríamos agora estar colocando em prática uma agenda de ações transformadoras, que recriem a nossa economia e ajudem a retomar o crescimento e a prosperidade econômicos. O país clama por taxas de juros que estimulem o investimento, por regras administrativas e jurídicas claras e seguras, que deem suporte à atividade produtiva, aumentem a produtividade, retomem e aumentem os empregos, ampliem a competitividade empresarial, deem segurança e estimulem a vinda de capitais externos e de investimentos estrangeiros, que reduzam a burocracia que emperra a produção, o investimento e as exportações. As estratégias para a retomada do crescimento estão postas.

Vamos, a partir dessas premissas, desenhar e construir a agenda de transformação do Brasil. Para tanto, algumas políticas e reformas são indispensáveis nesse processo, tais como: reforma administrativa e da estrutura de governo, ampliação e modernização da infraestrutura do país, reforma tributária, modernização das relações de trabalho, prevalência dos acordos coletivos de trabalho, revisão da CLT, equilíbrio financeiro e fiscal para a previdência e para a seguridade social, harmonização de regras jurídicas e regulatórias que afetam a atividade econômica, revisão de questões que emperram a criação de empregos e que impedem o empreendedorismo.

Ora, tudo isso requer que o governo faça a sua parte, não só trabalhando arduamente nessa agenda, como também reconstruindo sua estrutura de governança relativa à educação, à saúde, à segurança pública, profissionalizando a gestão e reduzindo o gasto público com a máquina administrativa. O desafio é enorme, não nos intimida, a classe empresarial tem determinação e está disposta a colaborar e a fazer a sua parte de modo a transformar este país em uma nação que nos orgulhe de sermos brasileiros.

AUTOR
Clésio Andrade - Presidente da CNT

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