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30 de março de 2020

Coronavírus causa
impactos no transporte

Coronavírus causa

A pandemia do coronavírus segue fazendo estragos gigantescos na mobilidade urbana do País. Em todos os setores dela. O transporte público coletivo, sem dúvida, é o mais impactado. Por ônibus, metrô, trem ou VLT, o prejuízo é geral, provocado pela perda de passageiros que já ultrapassou os 70% na maioria das cidades e chegou a mais de 90% em muitas outras. E, o que é pior: a estimativa de técnicos é de que ela seja ampliada em alguns sistemas e se mantenha alta durante toda a pandemia. Ou seja, um mês, dois ou até três meses nessa situação. No sistema sobre trilhos, o cenário é péssimo. E olhe que o setor não costuma gritar por qualquer crise, já que metade dos 19 sistemas em operação no País são públicos e a outra metade tem a operação concedida à iniciativa privada.

Levantamento feito pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), entidade que representa as empresas operadoras de transporte de passageiros sobre trilhos no Brasil, indicou que a perda de arrecadação - apenas com bilheteria - já chegou a R$ 271 milhões em nove dias de pandemia. E a perspectiva é ainda pior: se a situação se prolongar por mais sete dias, a perda será de mais R$ 261 milhões. A queda de demanda de passageiros transportados já está, em média, de 82%. Mas há sistemas que chegaram a uma perda de 96% dos passageiros, com o agravamento da situação a cada dia.

Por isso, operadores temem a paralisação do serviço por completo se o governo federal não ajudar, seja com a aprovação de projetos ou com linhas de financiamento. Assim como o setor de ônibus, o transporte sobre trilhos se ressente da falta de medidas para tratar a crise econômica semelhante às dadas rapidamente às companhias aéreas. Uma lista com pedidos está sendo apresentada ao governo federal.

ÔNIBUS PODEM PARAR

O transporte por ônibus está ainda mais desesperado que o sobre trilhos porque o setor conta com pouco subsídio público. Com poucas exceções, os sistemas são bancados pela passagem paga pela população. Por isso, já adverte que o serviço poderá ser paralisado no dia 5 de abril por falta de recursos para a folha de pagamento dos colaboradores. Os prejuízos diários com a perda da demanda e a manutenção do funcionamento do serviço em muitas cidades ultrapassa R$ 1 bilhão por dia - considerando a redução de demanda e a manutenção da operação.

Segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbanos (NTU), 227 sistemas de transporte por ônibus tiveram redução da frota ou suspensão total do serviço. Desse total, 182 paralisaram totalmente o serviço. Entre os casos mais críticos, estão as reduções da ordem de 85% em Goiânia (GO), 75% nas cidades do interior de São Paulo, 79% em Porto Alegre (RS), 75% em Salvador (BA) e 70% no Grande Recife e na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG).

A NTU estima que, para manter 70% da frota rodando com uma queda de demanda de 50% dos passageiros, seria necessário um aporte de R$ 2,8 bilhões por mês. "Queremos o mesmo tratamento das companhias aéreas. Prestamos um serviço essencial que não é tratado da mesma forma. Estamos no fundo do poço e a perspectiva é a pior possível", Joubert Flores, da ANPTrilhos. "Infelizmente, na maior parte do Brasil, as empresas não conseguem mais bancar os custos e pagar os funcionários. Por isso, o serviço poderá ser paralisado no dia 5 de abril", Otávio Cunha, da NTU (foto). 

Fonte: Jornal do Comércio-PE

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