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10 de maio de 2012

Restringir carros para melhorar o trânsito
Especialistas explicam que esta seria a melhor solução

Restringir carros para melhorar o trânsito

“Deixar de usar carro para usar um ônibus? Isso não valeria a pena. Só se os ônibus fossem pontuais e passassem com uma melhor frequência”. Este é o pensamento do administrador Marcelo Acioly, 34. A opinião dele é compartilhada por outras milhares de pessoas que residem, sobretudo, na Região Metropolitana do Recife (RMR). No entanto, para especialistas em mobilidade urbana, esta seria a melhor solução. Isto ficou claro na sétima e última audiência pública, realizada ontem, pela Comissão Especial de Mobilidade Urbana da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).


Todas as discussões apresentadas serão colocadas em uma carta aberta, até o dia 30 de maio, a fim de que as alternativas para o trânsito caótico sejam postas em prática. “Os governantes vão poder ter acesso a estas ideias e chamar a responsabilidade de cada obra para si. O governador Eduardo Campos já fez isso com os corredores Norte-Sul e Leste-Oeste. A proposta é que, em cinco ou dez anos, os governantes tenham mais condições de mudar a realidade atual”, afirmou o presidente da comissão e deputado estadual, Sílvio Costa Filho. 


Foram expostas diversas alternativas para que o retrato de Pernambuco pudesse ser modificado. Outras, por sua vez, foram criticadas. O consultor em mobilidade urbana, Germano Travassos, frisou que a construção de novas vias, bem como o alargamento das que já existem, seria algo inútil. “Já temos exemplos de vias largas em todo o País, e vemos que isso não resolve”, justificou. Acerca da construção de viadutos, túneis e elevados, ele também mostrou-se contrário. “São estruturas deploráveis e que concentram o quantitativo de automóveis em um lugar só”, afirmou. 


Em contrapartida, outras opções foram apresentadas, como a ampliação e requalificação das calçadas, além do cuidado com os ciclistas e da prioridade aos transportes públicos. “Em países como a Colômbia, o espaço das calçadas é enorme. Também é necessário revitalizar ciclovias e construir espaços para que as bicicletas sejam guardadas. Com relação ao transporte público, eles precisam de investimento e, aliado a isto, é preciso haver uma restrição no uso do automóvel privado. O problema não é a posse dos carros, mas sim o uso indiscriminado”, pontuou Germano Travassos. Ele ainda afirmou que, apesar de a população não aprovar a restrição do uso dos veículos privados, aos poucos haveria uma aceitação, caso surgisse interesse por parte dos governantes.


Também foi criticada a medida que será tomada pela Prefeitura do Recife de construir 15 edifícios-garagem na área Central da Cidade. “Isto é caminhar no caminho contrário ao que seria correto, porque estimula o uso de carros particulares”, atestou o engenheiro civil e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Maurício Pina. Ele ainda citou que seriam necessárias novas pesquisas a respeito de como a sociedade está se movimentando. “As coisas estão muito desatualizadas. Não dá para tomar alguma providência sem saber qual equipamento é mais viável”, afirmou. De acordo com o especialista, o ideal seria realizar pesquisas deste teor a cada cinco anos. As duas últimas, contudo, foram de 40 anos e 15 anos atrás, respectivamente. (Folha de Pernambuco - Recife/PR - 08/05/2012)

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