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30 de março de 2020

Setor solicita
repasse de R$ 2,5 bi

Setor solicita

O Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana, a ANTP - Associação Nacional de Transportes Públicos e a NTU - Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), divulgaram neste domingo um conjunto de medidas emergenciais concebido entre as principais instituições que atuam no transporte coletivo urbano. Sob o nome de Transporte Social, as entidades propõem que o Governo Federal destine R$2,5 bilhões por mês para aquisição dos créditos eletrônicos de passagens, enquanto perdurar a crise do COVID-19.

As entidades, apoiadas pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), consideram o valor de R$2,5 bilhões necessário para equilibrar custos e receitas no setor e para manter em funcionamento mínimo do transporte público por ônibus. Segundo a proposta, cada crédito eletrônico de passagem corresponde a uma tarifa pública vigente no sistema de transporte coletivo por ônibus de cada localidade. O Governo Federal usaria os créditos do programa "Transporte Social" como um estoque a ser empregado durante e após a crise do COVID-19.

Segundo o texto da proposta, diariamente, 40 milhões de brasileiros utilizam o transporte coletivo por ônibus. Esses serviços atendem prioritariamente as classes sociais menos privilegiadas e que dependem do modo ônibus para garantir a sobrevivência, por meio da participação nas diversas atividades nas áreas urbanas. Em algumas cidades, até 50% dessas pessoas pagam a tarifa do ônibus utilizando dinheiro, que é ganho diariamente em atividades informais. Por outro lado, a massa de trabalhadores formais se beneficia do Vale-Transporte e isso permite a minimização dos gastos no orçamento família Os créditos do programa "Transporte Social" serão adquiridos pelo Governo Federal junto às empresas ou entidades públicas ou privadas responsáveis pela comercialização em cada localidade, mediante apresentação de Notas Fiscais.

Nos casos onde o poder público exerce também o papel de entidade de comercialização de créditos, tal como acontece em São Paulo/SP, Brasília/DF e Curitiba/PR, os créditos eletrônicos do "Transporte Social" serão imediatamente repassados às empresas operadoras, na forma estabelecida na pactuação. A quantidade de créditos em valores monetários corresponderá à diferença entre o custo do nível mínimo dos serviços prestados de acordo com a oferta mínima de transporte e a correspondente receita auferida pelas empresas operadoras, devidamente demonstrado na forma a ser estabelecida na pactuação.

Para estabelecer padrões nacionais, os três entes de governo - Federal, Estadual e Municipal - pactuam o nível mínimo de serviços a serem prestados durante a crise do COVID-19, estabelecendo, em percentual, o limite da redução do número de ônibus em operação previsto nos respectivos contratos entre poder concedente local e os respectivos concessionários de transporte. Após o término do período pactuado, os créditos do programa "Transporte Social" serão utilizados nos programas de assistência social do Governo Federal e distribuídos mensalmente num período de 12 meses contados após o término do período de pactuação. Para não sobrecarregar o sistema de transporte normalizado após o período pactuado, propõe-se que a utilização dos créditos pelos beneficiários dos programas sociais do Governo Federal seja preferencialmente nos horários entre-pico ou fora dos picos.

As entidades propõem ainda como alternativas às medidas emergenciais:

Fornecimento de óleo diesel direto pelas distribuidoras a preço de custo. Tendo em vista que o óleo diesel representa até 23% dos custos das empresas operadoras. Propõe-se a redução em 50% do preço cobrado atualmente pela PETROBRÁS. Essa redução permitirá que sejam economizados, aproximadamente, R$402 milhões por mês.

Suspensão temporária do contrato de trabalho da mão de obra ociosa com pagamento integral do seguro desemprego. Como a folha salarial representa cerca de 50% do custo total do setor e há a perspectiva de redução significativa da necessidade de mão de obra, essa medida evitaria a demissão em massa dos rodoviários. Caso seja mantida uma redução média da oferta da ordem de 25%, isso acarretaria na demissão de cerca de 62 mil motoristas, 50 mil cobradores e outros 12 mil profissionais das empresas de ônibus. Essa medida representaria uma redução de custos mensais que seria de R$438 milhões.

Por fim, as entidades signatárias ressaltam que o transporte público é um direito social previsto na Constituição Federal (Artigo 6º) e, ainda, o seu caráter essencial também estabelecido na Carta (Artigo 30, Inciso V). Brasília, 28 de março de 2020.

Fonte: Alexandre Pelegi, Diário do Transporte

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