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18 de março de 2020

Isolamento causa
prejuízo no Transporte Público

Isolamento causa

Nos últimos dias, houve redução de, aproximadamente, 30% da demanda de passageiros de transporte público coletivo urbano por ônibus em algumas cidades brasileiras, em decorrência das medidas de distanciamento social e de flexibilização das atividades laborais, tais como o trabalho a distância (home office), devido ao avanço do coronavírus no país. Estima-se que metade desse total, 15%, se deve à suspensão das atividades educacionais e fechamento de escolas. O agravamento da situação poderá gerar impacto de mais de 50% na queda de passageiros, segundo levantamento preliminar da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), que representa o setor.

Para fazer frente a esse quadro, a entidade defende a flexibilização temporária da oferta, com readequação da frequência e do número de ônibus, em decisão conjunta com o poder público local. "Não faz sentido ter ônibus rodando vazios só para cumprir um planejamento feito antes da pandemia, e que não se aplica mais neste momento", pondera o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha. Ele lembra que essa medida foi adotada pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas, no decreto emergencial assinado ontem, e já tinha sido aprovada no último dia 13 de março, pela Diretoria de Transportes Rodoviários do Rio Grande do Sul em relação ao transporte intermunicipal daquele estado.

Numa situação extrema, de limitação de todo e qualquer deslocamento não essencial, como já vem ocorrendo em várias cidades da Europa, a NTU estima que grande parte do serviço de transporte público ficaria ocioso devido à redução de praticamente toda a demanda. "É importante frisar que, pela natureza essencial desse serviço público, seria necessário manter uma oferta mínima para atender aos passageiros que não têm outra alternativa de deslocamento", esclarece o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha.

Diante desse cenário e com a expectativa de forte redução do número de passageiros, tendo em vista o crescimento previsto do número de casos da covid-19, a NTU reivindica que sejam adotadas, desde já, medidas especiais e emergenciais para assegurar a continuidade do transporte público urbano em todo o país, nas condições estipuladas pelas autoridades públicas, de forma que mesmo em situação de queda drástica da receita, as empresas operadoras possam sobreviver frente às obrigações financeiras para manter os serviços em funcionamento.

O pleito a ser encaminhado ao Governo Federal consiste na instituição de um fundo nacional de emergência que possa complementar o déficit previsto entre custos e receitas das empresas operadoras de transporte público coletivo urbano e de caráter urbano.

Otávio Cunha reconhece a grande responsabilidade social do setor de transporte público coletivo, que tem que ofertar um serviço que atenda os atributos de universalidade, continuidade e preços módicos, mas vê grandes dificuldades pela frente. "Estamos falando de um setor responsável por 86% das viagens realizadas em modos de transportes coletivos urbanos em todo o país. O setor deve seguir todas as recomendações das autoridades públicas sobre a oferta dos serviços, mas, para isso, precisa ter garantido o equilíbrio financeiro das operações, visto que, de forma geral, as empresas estão debilitadas, já que enfrentam há tempos uma crise decorrente da queda sistemática de demanda, e não vão aguentar mais esse baque".

Cuidados

Ele explicou que a NTU já orientou as empresas associadas e entidades filiadas a adotarem uma série de procedimentos preventivos, que vão da divulgação de informações sobre o coronavírus para passageiros ao reforço da limpeza dentro dos coletivos. As recomendações, enviadas oficialmente por meio carta às empresas associadas, seguem as orientações do Ministério da Saúde, da OMS e da Associação Internacional de Transporte Público e incluem cuidados direcionados tanto aos passageiros quanto aos operadores do serviço:

Passageiros

Manter as janelas dos ônibus abertas para uma melhor circulação do ar, sempre que possível;Evitar os horários de pico nos transportes públicos;Escolher rotas que envolvam apenas um meio de transporte, evitando trocas de linhas ou modais que aumentam o risco de exposição, sempre que for viável;Lavar sempre as mãos com sabão até a metade do antebraço, esfregando também as partes internas das unhas, antes e depois de usar o transporte público; alternativamente, limpar as mãos com álcool em gel 70° INPM;Evitar cumprimentar com beijos, apertos de mãos e abraços;Limpar com álcool em gel 70° INPM objetos tocados frequentemente;Evitar tocar nas áreas do rosto (principalmente nariz, olhos e boca) antes de higienizar as mãosQuando tossir ou espirar, proteger a boca na parte interna do antebraço ou com um lenço descartável;Procurar manter uma distância de pelo menos 1 metro de quem estiver tossindo ou espirrando;Utilizar lenços descartáveis quando estiver com o nariz escorrendo, descartando o lenço usado imediatamente no lixo; Evitar sair de casa caso apresente sintomas de gripe ou similar;Seguir as orientações oficiais do Ministério da Saúde e autoridades sanitárias, evitando mensagens falsas que circulam pela Internet e WhatsApp (fake news).

Operadores

Utilizar o sistema de ar-condicionado dos ônibus no modo de ventilação aberto;Manter as janelas dos ônibus abertas para uma melhor circulação do ar sempre que possível;Reforçar a limpeza diária interna dos veículos, a desinfecção e limpeza de balaústres e pega-mãos, fazendo a higienização dos veículos com mais frequência no decorrer do dia, sempre que possível; Disponibilizar espaços para cartazes e outros materiais informativos sobre a prevenção do coronavírus na frota e demais canais de comunicação da empresa (sites, redes sociais, TV de bordo);Orientar os funcionários sobre métodos de prevenção contra o coronavírus;Colocar à disposição dos funcionários, nas áreas administrativas e nas garagens, álcool em gel 70° INPM.

Fonte: NTU

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